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Pensamento Estratégico na Diplomacia

Postado 22/04/2022

O pensamento estratégico nas relações entre dois Estados soberanos, ao que também chamamos de Estratégia Diplomática, deve ser encarado como fundamental nos tempos atuais. Vivemos em um mundo, onde apesar das exceções, a regra de não intervenção de um Estado soberano sobre outro deve ser respeitada. Dessa forma, faz-se necessário um uso da estratégia para executar os objetivos nacionais no âmbito internacional sem o uso da força militar ou da guerra.

A estratégia diplomática deve ser baseada em uma interdisciplinaridade de órgãos de planejamentos para que possa ser eficaz. Estabelecer metas e meios de consecução dessas metas, sem obstar nas regras do direito internacional, só poderá ser conseguido respeitando o outro participante do jogo diplomático.

Um dos exemplos primordiais que tivemos na história mundial, inclusive recente, foram as negociações entre EE.UU. e URSS, na crise dos treze dias ou crise dos misseis de Cuba, durante a Guerra Fria. Se não houvesse a utilização de estratégia diplomática neste episodio emblemático da nossa historia, a população mundial sofreria ainda hoje com as consequências de uma guerra mundial de nível atômico. Os esforços diplomáticos de inúmeros países foram fundamentais para não só evitar uma guerra de proporções nucleares, quanto para a assinatura do Tratado de Não proliferação de Armas Nucleares por 58 países, em 1968.

As agencias de relações exteriores de um Estado devem estar atualizadas constantemente sobre tudo o que acontece no mundo, inclusive com previsões de possíveis futuras ações de determinados Estados que poderão afetas positiva ou negativamente os seus propósitos nacionais, assim como os seus órgãos de defesa.

Cercar-se das ferramentas necessárias para a proteção da nação e do desenvolvimento do seu povo deve ser um caráter do Estado e não do governo posto sobre este, pois ainda que este último caia a posição do Estado não mudará. E isso só é possível de ser efetivado em nível internacional, através de um programa de politicas e de analises aplicadas que envolvam os poderes estatais e a população.

Ao contrário da guerra, a diplomacia busca efetivar cooperações e intercâmbios entre os participantes, e para isto é necessário um staff preparado e dedicado funcionalmente a negociações diretas e quase pessoais, e não de materiais e equipamentos pesados.

Adaptando Sun Tzu ao contexto diplomático, o diplomata brasileiro, Paulo Roberto (2011) afirma que há cinco fatores primordiais para a elaboração de uma estratégia diplomática, quais sejam:

a)    Doutrina: se manifesta nos fundamentos norteadores da diplomacia, nos valores basilares da sua execução e nas normas orientadoras que guiam esta execução na prática do cenário internacional.

b)    Interação entre a conjuntura e a estrutura: se baseia na análise do tempo, imprimindo ações no presente e analisando suas consequências no futuro.

c)    Condicionantes econômicos e geopolíticos: estes representam o fator espaço, onde e em que local os agentes diplomáticos deverão atuar na consecução de determinado objetivo.

d)    Comando: diz respeito às lideranças diplomáticas de uma nação, indicar ao restante do corpo diplomático, a estes subordinados, os objetivos pelos quais eles devem trabalhar com afinco.

e)    Disciplina: trata-se de construir uma organização e métodos para aplicação dos fatores anteriores de forma uniforme.

Portanto, a elaboração de uma estratégia politica implica na análise das possibilidades e obstáculos que cercam o atingimento de objetivos nacionais, bem como participação de todos os instrumentos estatais disponíveis para a consecução destes objetivos por meios diplomáticos, mas com o apoio das forças armadas e da coletividade econômica do país.

 

Fonte: jus.com.br (Daiane Batista)

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